Agronegócio: quais os impactos da crise hídrica no setor?

Agronegócio: quais os impactos da crise hídrica no setor?

Especialistas em clima apontam causas cíclicas, além da falta de manejo adequado e uso sustentável dos recursos naturais, para a seca na região dos reservatórios e dos cursos d’água que abastecem as principais capitais do sudeste, que já sentem nas lavouras e criações os impactos da seca.

Cenário desafiador

A falta de chuvas, com volumes abaixo da média histórica diante da maior seca do Brasil, impactam severamente no grande propulsor do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro: o agronegócio.

O país já é o segundo maior exportador do agronegócio global, o que faz do setor uma das locomotivas da economia nacional e os prejuízos causados pela crise já vêm sendo sentidos, com atraso no desenvolvimento das culturas perenes, como é o caso da laranja e do café. Outras, como o feijão e a pecuária de leite e de corte passam, neste momento, por dificuldades na produção.

De acordo com o coordenador da CNA (Sustentabilidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Nelson Ananias Filho, é fundamental fazer a gestão do uso da água para a produção e para os usos múltiplos. “Não podemos esquecer que energia elétrica é, sim, importante para a segurança nacional. Mas a produção de alimentos e a segurança alimentar são igualmente importantes”, afirmou Ananias.

O governo editou uma medida provisória, estabelecendo a criação de uma câmara interministerial para gerir a crise hídrica e energética, que vai atuar até o fim de 2021, sendo composta por seis ministros e definirá limites de uso, armazenamento e vazão das usinas hidrelétricas.

Prevenção para driblar os efeitos da seca

É necessário tomar medidas preventivas para que a lavoura e a criação não fiquem comprometidas com a falta de chuvas, deixando o agronegócio menos refém dos impactos climáticos.

Há meios de utilizar menos água no setor, garantindo que o cultivo, a colheita e a criação não sejam prejudicados, através de algumas técnicas:

  • Planejamento da alimentação animal – Como a seca prejudica a produção do pasto, é importante planejar a alimentação dos animais, com ração formulada ou manejo do solo, garantindo a boa qualidade em qualquer situação climática.
  • Previsões climáticas – Ficar atento às informações climáticas e meteorológicas é importante para que o produtor possa se precaver em casos de secas mais duradouras. Para tal, existem métodos que ajudam os produtores a se prepararem para casos de seca, reduzindo o impacto desse fenômeno no agronegócio.
  • Uso de cisternas para armazenar água da chuva – Em períodos de secas, a reserva hídrica estará disponível em cisternas, garantindo a continuidade da produção e evitando perdas.
  • Irrigação por gotejamento – Uma das melhores opções de medida preventiva contra a seca, trata-se de uma técnica que aplica a água pontualmente por meio de gotas diretamente no solo. O gotejamento tende a utilizar até 80% menos água, podendo-se utilizar a que estiver armazenada na cisterna de produção.
  • Recursos tecnológicos – Use a tecnologia a seu favor e utilize recursos que envolvam novas formas de cultivo, como a hidroponia e a agricultura de precisão.
  • Rotação de culturas – Alternar espécies vegetais em uma mesma área, diminui a exaustão do solo e mantém maior volume de água no solo, aumentando o potencial de infiltração e sua disponibilidade para a planta.
  • Plasticultura – Com o uso de telas e lonas nas plantações (agricultura protegida), cria-se um ambiente com temperatura e umidades apropriadas para o desenvolvimento da lavoura, controlando a entrada de radiação ultravioleta, mantendo a temperatura constante e diminuindo a evaporação da água, possibilitando que o produtor consiga adaptar o ambiente sob a lona de acordo com as necessidades de cada plantio.

Sabemos que a água é um recurso fundamental para a produção agrícola, por isso é importante entender os impactos que a seca provoca no agronegócio, conhecer e implementar formas de minimizar seus danos.

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